O caso da Revolução Francesa e o verdadeiro jogo da vida.
Procuraremos agora explicar melhor os conceitos do capítulo
precedente, observando-os quando aplicados a um caso concreto, o caso clássico
da Revolução Francesa. Examinemos a natureza e os movimentos das
forças que lhe deram origem.
Luís XIV foi rei absoluto. Ele dizia: "L'État c'est moi"
("O Estado sou eu"). Hoje, isto seria considerado tirania. Porém,
ninguém no seu tempo o considerou tirano, enquanto como tal foi chamado
o meigo Luís XVI, tão ecônomo para si e amigo do povo. Por
que razão ninguém reclamou contra Luís XIV que era tirano
e todos reclamaram contra Luís XVI que não o era? O primeiro não
foi julgado tirano porque tinha o poder da força e da inteligência.
O segundo foi chamado tirano porque era simples e fraco. Luís XIV, que
auto-denominou-se "le Roi Soleil" ("o Rei Sol"), usou o
poder na forma mais adaptada tanto para si como para seus súditos, a
do nível de evolução atingido por todos eles naquele tempo.
A forma mental nesse nível é o egocentris-