O Estado
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Hoje, o Estado só pode ser povo, povo só pode existir organizado em Estado. A progressão das unidades e consciências dirigentes continuará a dilatar-se na evolução, até uma unidade e consciência que abarquem toda a humanidade, e daí a uma unidade e consciência cósmica que compreenda todo universo. A luta é esforço de transição que cessa ao atingir-se a meta, a unificação mais elevada. Esta é a tendência constante, o significado das grandes tentativas históricas da formação dos impérios. Política, científica e espiritualmente, o ser busca a unidade.
Também o campo político é campo de verdades relativas e progressivas; o conceito de Estado está em contínuo devenir, tanto quanto um povo é uma unidade em contínua evolução. Cada geração vive um momento do do gradativo desenvolvimento da verdade política do próprio povo, como por momentos sucessívos vive sua verdade artística, científica, ética e religiosa. Só hoje se pode falar em Estado. Para chegar aí, a jornada foi longa. Trata-se de uma maturação biológica, longamente elaborada, mesmo que tenha explodido em revoluções. A unidade coletiva expressou-se desde as origens em seu poder central, pelo método da seleção biológica. Assim, criado esse centro, progressivamente disciplinou-lhe os poderes. Primeiramente, a coação, ou seja, o arbítrio de um vencedor; depois a convenção, ou seja, o arbítrio das maiorias; finalmente, hoje, a função coletiva, isto é, a justiça. Essas são as etapas evolutivas do princípio da atribuição de poderes.

A Grande Síntese
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